Cruzando a fronteira digital

As pequenas e médias empresas enfrentam quatro obstáculos comuns para crescer sua capacidade de comércio cross-border:

  • Acesso a melhores práticas e parcerias
  • Temas regulatórios
  • Acesso a tecnologia
  • Suporte logístico

— Paulo Fernandes, VP Governos e Desenvolvimento

Sumário Executivo

O case de negócios para as pequenas e médias empresas (PME) em crescimento nunca esteve tão em voga. Mesmo em uma economia onde gigantes mundiais como Amazon, Alibaba, Kia e Exxon continuam a prosperar, as PMEs respondem por 90% de todos os negócios em nível mundial. Elas foram responsáveis pela criação de quatro de cada cinco novos postos de trabalho em mercados emergentes, de acordo com a Organização Mundial do Comércio (OMC).

E as oportunidades para as PME nunca foram tão grandes. Compras virtuais tanto para B2B (U$ 7,7 bilhões) quanto para produtos e serviços B2C (U$ 2,3 bilhões) estão em uma trajetória de crescimento global. O comércio cross-border Segundo artigos consultados, essa terminologia reflete uma visão mais realista sobre o comércio entre países. No entanto, o termo pode ser traduzido ao português como interfronteiriço, transfronteiriço ou internacional. Nesse artigo, foi mantido o termo original, em especial, vem registrando um grande crescimento. Cinquenta e sete por cento de todos os consumidores virtuais afirmam que realizaram alguma compra cross-border durante a primeira metade de 2017.

Ainda assim, o crescimento das PMEs no que diz respeito ao comércio cross-border se encontra atrasado. Apesar da sua contribuição para a economia mundial, as PMEs têm enfrentado problemas para entrar e competir nesse tipo de mercado. Esse desafio é mais aparente no comércio global. Atualmente apenas 38% das empresas ao redor do mundo estão aptas para processar ordens de compra internacionais, e só 33% realizam vendas internacionais. Isso significa que mais da metade de todas as PMEs está perdendo oportunidades de fazer negócios globalmente devido à dificuldade de acesso à infraestrutura e à falta de experiência com questões regulatórias. Esses dois pontos serão importantes para o crescimento das PMEs, que, se espera, possam contribuir com 600 milhões de postos de trabalho até 2030 para acelerar o crescimento global da força de trabalho, de acordo com o Banco Mundial.

As PMEs são largamente prejudicadas pela falta de acesso a crédito, pela defasagem de conhecimento, pelos desequilíbrios regulatórios e pelo acesso limitado à tecnologia competitiva. Parcerias público-privadas podem fazer mais para proporcionar intervenções governamentais necessárias e solidez para empresas privadas, ampliando conhecimentos, tecnologia e acesso a pequenos comerciantes. Esse processo vai exigir que as diferentes partes interessadas (stakeholders O termo é amplamente usado no idioma português na área de negócios) se unam para influenciar políticas de regulamentação em nome das PMEs, além de inovar para facilitar o mercado de cross-border.

“Se as PMEs se envolverem na formulação de políticas que dizem respeito aos seus negócios, elas poderão promover a implementação efetiva das mesmas”, afirma Phyllis Wakiaga, representante do Pacto Global da ONU no Quênia. “Por outro lado, se não houver consultas para construir um compromisso partilhado com a intenção de estabelecer essas políticas, não só os pequenos negócios sofrerão com os custos e encargos operacionais dos ajustes, sendo forçados a fechar, como também serão incapazes de continuar seu papel na criação de valor social”.

Alguns acontecimentos recentes são sinais de progresso, como o Acordo de Facilitação de Comércio (AFC) da OMC. O acordo entrou em vigor em fevereiro de 2017 para facilitar o trânsito, a liberação e a retirada de mercadorias com o objetivo de reduzir os obstáculos de importação e exportação das mesmas.

Este relatório técnico baseia-se em exemplos como o do AFC para reunir experiências práticas e lideranças inovadoras de especialistas de todos os âmbitos da questão: empresas privadas, agências governamentais, ONGs e outras organizações que estão descobrindo os benefícios do comércio cross-border de pequenas e médias empresas. O relatório aborda quatro importantes recomendações: favorecer a troca de conhecimento, aumentar a eficiência das atuais práticas de compras, possibilitar inovações nas tecnologias de pagamento e examinar as zonas francas de e-commerce.

As conclusões desse relatório técnico foram reunidas a partir de diversas fontes, incluindo o Salão Mastercard “Potencializando o Mercado para o Crescimento”, que aconteceu em julho de 2017, em Washington, DC. Um agradecimento especial a todos os especialistas, funcionários de governo e ONGs que disponibilizaram seu tempo para debater questões cruciais para o sucesso global das PME.

Senhor sentado estudano um projeto - Mastercard Empreendedor

19%

das pequenas e médias empresas dizem que a dificuldade de acesso a financiamento é um obstáculo grave

20%

evitam solicitar empréstimos devido à complexidade dos processos

Source: World bank

Muitos empreendedores não possuem conhecimento financeiro, visão estratégica, recursos e, em alguns casos, disposição para atrair financiamentos ao invés de dívidas clássicas.

— OECD, 2017

Recomendação 1 Favorecer a troca de conhecimento

As PMEs estão criando histórias de sucesso e boas práticas, mas isso precisa ser centralizado e compartilhado. É necessário que as empresas tenham uma fonte confiável de informação no que diz respeito a padrões de tecnologia de pagamento, parcerias disponíveis, políticas de crédito, regulamentações no ambiente legal, infraestrutura e restrições à transferência internacional de fundos.

No relatório de junho de 2017 “Aumentando a Contribuição das PMEs na Economia Global Digital”, o conselho da OCDE em nível ministerial afirmou, ... “um desafio-chave para muitas PMEs está ligado ao “...seu acesso a recursos estratégicos...como educação e treinamento, inovação e infraestrutura”.

Algumas parcerias existentes funcionam como modelos para a troca de conhecimento entre as PMEs. Nos Estados Unidos, a Comissão Internacional de Comércio, que está sob o comando do Departamento de Comércio Americano, administra conselhos distritais de exportação que fomentam os micromercados. O Banco de Exportação e Importação dos Estados Unidos (Exim Bank) fornece um serviço similar em nível macro.

Enquanto o acesso ao conhecimento macroeconômico e a transparência para as PME ainda são relativamente novos, projetos de destaque estão usando plataformas no estilo de mídias sociais para alcançar amplitude e escala. O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) apoia uma iniciativa na Região do Caribe e América Latina (Cala) chamada ConnectAmericas, que é uma plataforma de capacitação virtual. Lançada em 2014 pela Divisão de Comércio e Investimentos do BID, a ConnectAmericas.com já registrou 140 mil empreendedores em 120 países, sendo a maioria localizada na Cala. Mesmo que a página virtual ainda não seja transacional, o BID estipulou uma meta de gerar U$ 3,3 bilhões em negócios através desta plataforma até 2019.

Francisco Estrazulas de Souza, especialista em Negócio e Investimento do BID, declara que a ConnectAmericas é tão exitosa que está sendo oferecida como uma solução genérica para parceiros de negócios. “Organizações white-label, ou de marca branca, vão começar a funcionar com sucesso com 140 mil empreendedores em 120 países, 11 cursos virtuais de inicialização, milhares de anúncios de compra e a opção de incluir suas próprias ferramentas”, explica Estrazulas de Souza. “A medida que novos empreendedores se cadastram, seja na plataforma ConnectAmericas, seja em qualquer outra versão genérica, eles se tornam visíveis para todos os membros do sistema”.

Parcerias público-privadas podem tornar informações mais acessíveis para as PME. A Mastercard, por exemplo, vem trabalhando com o BID desde 2014 para promover a transição para serviços eletrônicos de pagamento na região, o que pode ajudar na redução de custos de transação e no incremento da eficiência de desembolsos financeiros. Substituir sistemas de pagamento em dinheiro por métodos eletrônicos também pode contribuir para uma potencial redução no vazamento de informações, aumentando a possibilidade de que pagamentos e benefícios terminem nas mãos de beneficiários e destinatários, ajudando a melhorar a condição de vida de comunidades carentes.

Potencializando suas ferramentas digitais, as PMEs conseguem mais de 29% de redução do tempo, sendo que 78% dessa economia é impulsionada pelo aperfeiçoamento do sistema de apoio operacional.

— Source: A Micro Revolução: os novos stakeholders de comércio na APAC, APMC , Novembro de 2017

Ícone representando uma nota de dinheiro

“O Escritório de Prestação de Contas do Governo dos EUA (GAO, na sigla em inglês) identificou que 17 agências federais com programas de promoção de exportação poderiam ser mais eficazes se fossem mais bem administradas, eliminando a duplicidade de atividades e melhorando a distribuição de recursos“

— Barreiras Comerciais que Pequenas e Médias Empresas Americanas Consideram que Afetam as Exportações para a União Europeia, Comissão dos Estados Unidos para o Comércio Internacional (ITC, na sigla em inglês)

Recomendação 2 Aumentar a e ciência das atuais práticas de compras

A otimização dos processos internos das PMEs para automatizar faturamento, acordos, pagamentos e conciliação é um dos pilares das iniciativas de exportação dessas empresas. A digitalização vai permitir às PMEs otimizar velocidade, facilidade de operação e segurança dos métodos de pagamento. Em decorrência dos acordos entre a OMC e a Organização Mundial de Alfândegas (OMA), atualmente, muitos países estão instalando balcões únicos digitais (que atuam como uma plataforma para o intercâmbio de informações comerciais) como entrada para o comércio cross-border. Dezenas de agências governamentais têm a possibilidade de gerenciar vários pedidos de submissão dentro de uma plataforma digital transparente: a mercadoria é apresentada uma vez e logo é liberada.

Do ponto de vista da indústria, os operadores do setor privado captam dados essenciais de frete na sua origem, que são enviados antes da sua execução, para as agências de controle fronteiriço do país de destino. Esses dados contêm informação essencial que permite que o processo de frete cross-border seja completo. “Na era do e-commerce e da enorme quantidade de envios, o desafio é assegurar-se de que as agências de controle fronteiriço estejam capacitadas para usar esses dados antecipadamente, garantindo assim a liberação do frete no momento da chegada à fronteira”, explica Amgad Shehata, vice-presidente sênior para Assuntos Públicos e Internacionais e Estratégia da UPS. A oportunidade real hoje é o engajamento das PMEs, que estão alavancando as plataformas digitais para aceder ao mercado global. Dar apoio a essas ‘micro multinacionais’ é a solução oferecida por marcas como Facebook, eBay, Etsy, Alibaba, UPS, Mastercard, entre outras. “No entanto, sem processos alfandegários simplificados de dados de frete e mecanismos eficientes de controle de riscos”, Shehata agrega, “essas mercadorias ficam paradas na fronteira, aumentando tempo, custos e complexidade ao negócio, e reduzindo as pretensões das PME no mercado global”.

Várias organizações internacionais, incluindo as Nações Unidas e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), vêm defendendo um maior acesso a processos digitais inovadores. A OCDE apontou para um “ecossistema mais versátil para as PME, onde se possa compartilhar informação entre regiões sobre regulamentações e aceder a boas práticas de processos financeiros. Alguns legisladores tomaram a iniciativa. Em 2016, o Fórum Multi-Stakeholder da União Europeia aprovou uma plataforma digital aberta de compra e venda (incluindo faturamento), que permite a implementação de serviços eletrônicos interoperáveis dentro de qualquer órgão público. A plataforma está conectada a um portal virtual que permite que fornecedores, como as PMEs, codifiquem manualmente seus serviços de faturamento por meio de um formulário virtual.

Mais uma vez, o setor privado desempenhou um papel crucial. Na região da América Latina e Caribe, a Rede Global de Exportação (RGX) desenvolveu um projeto de comércio cross-border para as PMEs, em conjunto com a Mastercard, baseado na plataforma MastercardBiz.com. A plataforma oferece às pequenas e médias empresas serviços de valor agregado necessários para importação ou exportação, incluindo a capacidade de busca por novos clientes em mercados internacionais e a identificação e pré-seleção de potenciais mercados internacionais.

“Interoperabilidade é um divisor de águas e está acontecendo, você goste ou não”.

— Torbjörn Fredriksson, Nações Unidas

Recomendação 3 Possibilitar inovações nas formas de pagamento

Para as PMEs, competividade econômica é um fator crítico para o comércio cross-border. O acesso a novas tecnologias de pagamento pode oferecer soluções de custos rentáveis que proporcionem rapidez e segurança. Espera-se que a tecnologia de blockchain Blockchain: protocolo de cobrança. O termo é relativamente novo e sua tradução não é muito utilizada no ambiente corporativo seja um divisor de águas com relação aos procedimentos internacionais e alfandegários. Muitos dos custos associados com o comércio global estão relacionados à falta de clareza nos processos regulatórios entre as agências. Como um grande registro fiscal, onde cada membro do sistema pode ver cada mudança feita, o blockchain pode facilmente aumentar a velocidade, a segurança e a transparência. O BID, assim como a IBM e a gigante dinamarquesa de transportes A.P. Moller – Maersk Group (Maersk), está apostando no blockchain com projetos-piloto em execução no Leste da África.

Enquanto a tecnologia blockchain tem recebido bastante atenção, o futuro das formas de pagamento a curto prazo deve ser mais realista. O relatório “Pagamentos cross-border para comerciantes – um futuro internacionalmente ‘local’”, entrevistou 200 comerciantes que já estão realizando negócios internacionais.

“O setor digital está rompendo barreiras entre regiões, abrindo um mercado global e uma base de clientes mundial”, analisa Anders la Cour, CEO da Saxo Payments. “No entanto, as questões de ordem prática e os custos ainda são um impedimento para esse progresso. Metade dos comerciantes que responderam a nossa pesquisa disseram que a maior preocupação relacionada à realização e à aceitação de pagamentos internacionais são as taxas de transação. Quarenta por cento estão preocupados em conseguir os melhores índices cambiários, enquanto que 29% demonstraram que a rapidez no processamento de pagamentos é uma inquietude. Essas são todas questões decorrentes da infraestrutura tradicional bancária”.

Especificamente, a Saxo Payments detectou que as PMEs estão tendo dificuldades em aceder à rapidez e à rentabilidade que necessitam numa transação global. De fato, mais de 47% dos que responderam à pesquisa afirmaram que a solução da velocidade dos processos é a sua maior prioridade, além dos custos no momento de escolher um banco, um prestador de serviços de pagamento ou cambiário. Essas questões superam as preocupações com as baixas taxas de câmbio (44,6%) e com variedade de moedas oferecidas (40,6%).

“O setor de pagamentos é bastante diversificado, e os países envolvidos têm diferentes níveis de maturidade”, diz Torbjörn Fredriksson, chefe da Seção de Análise ICT da Divisão de Tecnologia e Logística na Conferência da ONU para Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD, na sigla em inglês). “Inovações nas formas de pagamento, como as móveis, devem funcionar em conjunto com o sistema bancário. O que funciona no Quênia pode não funcionar na Austrália. Entretanto, do ponto de vista da ONU, a interoperabilidade é um divisor de águas e está acontecendo gostemos ou não”.

No entanto, as inovações só serão postas em prática depois que as PMEs obtiverem melhores acessos a linhas de crédito, especificamente instrumentos financeiros que possibilitem o comércio cross-border, como as cartas de crédito. De acordo com um relatório da Corporação Financeira Internacional, somente 24% das PMEs na América Latina e Caribe têm acesso a crédito. Trinta e cinco por cento afirmam que não são atendidas pelo sistema financeiro formal; 17% se dizem “mal servidas”. Ainda menos empresas usam as facilidades das cartas de crédito. Vinte e dois por cento dos entrevistados do Banco Mundial reclamam que há muita burocracia interna. Os bancos, por outro lado, estão menos dispostos a oferecer uma linha de crédito para transações de baixo valor, já que a burocracia e os custos envolvidos no processamento de uma linha de crédito de U$ 100 mil e U$ 5 milhões são similares, com óbvias diferenças de retorno financeiro. O resultado final é que 31% das PME afirmam que essas restrições impedem a realização de exportações. Uma das soluções poderia ser um cartão de crédito posicionado para alavancar os pagamentos internacionais de baixo valor (geralmente menos de U$ 50 mil) e que possa trazer mais vantagens tanto para bancos quanto para pequenos negócios. Dessa forma, os processos de aprovação de crédito para esse tipo de empresa poderiam ser simplificados e menos custosos do que uma carta de crédito plena.

“Para as PMEs, o e-commerce pode diminuir significativamente os custos de fazer negócios interfronteiriços. Além disso, ele oferece uma plataforma que permite que produtores tenham acesso ao mercado global, alcançando uma cadeia de compradores mais ampla e, potencialmente, participando de cadeias de valor global”.

— Roberto Azevêdo, diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) Abril de 2017

Recomendação 4 Examinar zonas francas de e-commerce

De acordo com o dicionário de comércio internacional, uma zona franca é uma “área especial de indústria e comércio em portos ou perto deles, onde produtos nacionais ou internacionais podem adentrar sem estarem sujeitos a taxas alfandegárias”. As zonas francas muitas vezes geram polêmica. Seus defensores garantem que elas impulsionam o crescimento; já os oponentes asseguram que elas diminuem a receita tributária. Contudo, há desequilíbrio quando se trata de comércio cross-border para PME.

A China criou inúmeras zonas francas, onde mercadorias entregues via correio expresso não encontram problemas na liberação alfandegária, nas taxas de câmbio e no reembolso de impostos. A prática demanda um estudo mais detalhado e fornece indícios que podem encorajar o comércio cross-border para PME em outros lugares.

“Aproximadamente 90% de todos os negócios ao redor do mundo são feitos pelas PMEs, e 1% das exportações mundiais são feitas por pequenas e médias empresas. Isso abre um delta de oportunidades”, diz Shehata. “Nós dedicamos tempo tentando assegurar alguma oportunidade nas Parcerias Trans-Pacíficas por meio de canais digitais e de pequenos negócios. Isso também está sendo debatido nas renegociações do NAFTA”.

A Cooperação Econômica da Ásia-Pacífico e a Associação Econômica Integral Regional (RCEP, na sigla em inglês) também estão buscando formas de e-commerce que estabeleçam um modelo de referência para auxiliar as PME a operar internacionalmente criando “...um ambiente favorável para às PMEs”, completa Shehata. “Os atuais regimes regulatórios são pré-digitais. Estamos falando de uma mudança de procedimentos para alavancar o mundo digital. Isso vai impactar desproporcional e positivamente as PMEs”.

Um exemplo recente relacionado a isso foi a conclusão, em novembro de 2017, da primeira fase da nova Zona Franca Digital, criada pela Corporação de Economia Digital da Malásia (MDEC, na sigla em inglês), a principal agência de e-commerce do país – e pelo grupo chinês Alibaba. A zona franca foi anunciada como primeira deste porte fora da China, e os parceiros acreditam que o e-commerce pode dobrar as exportações das PMEs da Malásia, além de criar 60 mil postos de trabalho até 2025. Quando foi anunciada pela primeira vez, o chairman executivo do Grupo Alibaba, Jack Ma, afirmou: “O primeiro centro de distribuição virtual...fora da China constituirá um grande avanço no sentido de tornar o comércio global mais inclusivo e proporcionará um suporte muito esperado para um imenso grupo: as PMEs e as novas gerações”. O Alibaba também é peça fundamental na zona piloto de livre comércio de cross-border e-commerce da cidade de Hangzhou, na China, que vai ser conectada à nova DFTZ perto de Kuala Lampur.

Conclusões

As oportunidades apresentadas nesse relatório requerem parcerias. Organizações internacionais como a OMC e a ONU são estabelecidas por meio da cooperação entre os seus membros, os parceiros do setor privado e os cidadãos por elas beneficiadas. O acesso ao processo de conhecimento também tem sido conquistado por meio de parceria público-privadas. Inovações nos métodos de pagamento serão desenvolvidas por empresas privadas, mas a sua distribuição para as PMEs, por exemplo, contará com o apoio de políticas públicas e comunicação. O papel do governo em desenvolver as PMEs para negócios é um componente fundamental da política econômica. Tanto que foi tema central na recente cúpula da OMC realizada em Buenos Aires, na Argentina, onde “Trade Impact for Good” foi a mensagem central.

Para se tornarem exportadores diretos ou indiretos e atualizarem-se sobre a dimensão do potencial de crescimento econômico, as PME devem estar cientes das oportunidades de exportação, entender as regras de participação, fomentar o conhecimento sobre os melhores processos de pagamento, risco e cumprimento, além de conectarem-se a oportunidades globais. Os governos, por sua vez, devem facilitar processos, providenciando acesso a programas de capacitação relacionados ao comércio, simplificando os processos fronteiriços para fomentar compromissos comerciais, desenvolvendo acessos a novos mercados e modernizando regras, para dessa forma, conduzir os processos regulatórios de maneira transparente. Isso estabelece confiança e assegura acesso amplo e igualitário às plataformas. Os governos devem vencer o desafio de viver em um mundo com tecnologia do século XXI prejudicado por regulamentações do século XX. E, talvez, mais importante, os governos possam facilitar o processo pelo qual as PMEs consigam ter acesso a crédito.

“Há muitas pesquisas dedicadas a encontrar o potencial real de exportação”, diz Victor Umaña Vargas, diretor do Centro Latino Americano para Competitividade e Desenvolvimento Sustentável da INCAE Business School. “Com essa mentalidade, a aglomeração das PMEs em grupos faz todo sentido. Então, você tem economias de escala para entregar qualquer tipo de serviço ou produto dentro desses grupos. Você pode ter intervenções que são interessantes para todos”.

Os governos e as organizações de desenvolvimento internacional podem influenciar o crescimento do e-commerce interfronteiriço para as PMEs por meio de uma política de abordagem e procedimento bem balanceada. As quatro recomendações aqui descritas fornecem exemplos úteis dessa influência, mas a lista não tem, de forma alguma, a intenção de esgotar o assunto. As recomendações têm a finalidade de começar um diálogo produtivo entre os participantes dos setores público e privado na abordagem dos desafios-chave. Incluir as PMEs como uma voz significativa nesse diálogo será essencial se o e-commerce tiver a intenção de explorar seu potencial inteiro e se tornar realmente inclusivo.


Para mais informação sobre PMEs e comércio cross-border, entre em contato com:
Jay.Singer@mastercard.com ou Paulo.Fernandes@mastercard.com.

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